Guerra da Restauração

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Guerra da Restauração
Parte da(o) revoluções contra o domínio espanhol

Aclamação de D. João IV como rei de Portugal, pintado por Veloso Salgado (Museu Militar de Lisboa).
Data 1 de Dezembro de 164013 de Fevereiro de 1668
Local Portugal
Desfecho Vitória decisiva de Portugal:[1]
Mudanças
territoriais
Portugal cede a cidade de Ceuta a Espanha
Portugal cede a vila de Ermesende
Combatentes
Portugal Espanha
Principais líderes
João IV de Portugal
Afonso VI de Portugal
Pedro II de Portugal
Filipe IV de Espanha

Carlos II de Espanha

A Guerra de Restauração foi um conjunto de confrontos armados travados entre o reino de Portugal e Espanha, com excepção da Catalunha, no período compreendido entre 1640 e 1668. Tiveram início no golpe de estado da Restauração da Independência de 1 de Dezembro de 1640 — que pôs fim à monarquia dualista da Dinastia Filipina iniciada em 1580 — e terminaram com o Tratado de Lisboa de 1668, assinado por Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha e no qual se reconhece a total independência de Portugal.

Desenvolvimento Histórico[editar | editar código-fonte]

De 1580 a 1640 Portugal viveu sob o domínio do ramo espanhol da casa de Habsburgo. A monarquia começou quando Filipe II de Espanha se tornou rei nas Cortes de Tomar prometendo: Os cargos mais importantes (na igreja e no tribunal) estariam nas mãos dos portugueses; Espanha não iria interferir com o comércio com África, Brasil e Índia e os símbolos portugueses iriam continuar a ser os mesmos (o escudo, a bandeira e a moeda). Como seus dois descendestes, durante os seus reinados, não cumpriram o que D. Filipe II prometeu começou a haver descontentamentos entre o povo que mais tarde também afetou os nobres. Então criaram um grupo de nobres que conspiravam contra o reino que resultou na instauração da casa de Bragança em 1 de Dezembro de 1640.

O tumulto do Manuelinho de Évora, em 1637, foi um prenúncio do movimento restaurador. A causa imediata dessas alterações em Évora fora o lançamento de novos impostos sem consultar as Cortes. A conspiração de 1640 (ver Os Conjurados) foi planeada pelos fidalgos D. Antão de Almada, D. Miguel de Almeida e pelo Dr. João Pinto Ribeiro, não obstante de outros nomes associados que, nesse sábado de 1 de Dezembro de 1640 acorreram ao Terreiro do Paço e mataram o secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e aprisionaram a duquesa de Mântua, que governava então Portugal em nome de seu primo, Filipe III. O momento fora bem escolhido, porque a casa de Habsburgo defrontava os problemas advindos da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e procurava vencer a Revolta da Catalunha. E assim D. Miguel de Almeida tornou D. João IV Duque de Bragança rei de Portugal. E assim começou a nova dinastia, a Dinastia de Bragança.

Do decurso do reinado de D. João IV as hostilidades não se caracterizavam por encontros graves devido a coroa espanhola estar envolvida na Guerra dos 30 Anos e na revolta da Catalunha, pelo que não pôde dar uma resposta eficaz à revolta portuguesa, o que permitiu ao partido brigantino organizar e aperfeiçoar o seu exército com a chegada de novos efectivos e a utilização de oficiais e técnicos estrangeiros de qualidade.

Juramento e Aclamação de D. João IV no Terreiro do Paço, a 15 de Dezembro de 1640

Houve lugar a vários confrontos na fronteira, maioritariamente na zona do Alto Alentejo, e ainda na Beira Alta. A guerra arrastou-se durante 28 anos, vindo a paz a ser assinada já na regência de D. Pedro II.

A 2 de Dezembro de 1640, D. João IV já se dirigia como soberano por carta régia datada de Vila Viçosa, à Câmara de Évora. O caminho a seguir era o da reorganização de todas as forças para o embate que se previa. Assim, resolve criar em 11 de Dezembro o Conselho de Guerra para promover em todos os assuntos relativos ao exército. Vem a seguir a Junta das Fronteiras que haveria de cuidar das fortalezas fronteiriças, da defesa de Lisboa, das guarnições e portos de mar. Dá-se, ainda em Dezembro de 1641, a criação da Tenência para assegurar o artilhamento das fortalezas com o produto das Terças dos concelhos.

Posteriormente são restabelecidas as Leis Militares de D. Sebastião, visando reorganizar o exército. Paralelamente, desenvolve-se uma intensa actividade diplomática.

Com as decisivas vitórias do partido brigantino, lograram-se criar condições para o reconhecimento da independência, o que viria a ser conseguido, em 1668, sendo já regente o infante D. Pedro (futuro Rei D. Pedro II). Neste último ano foi assinado o tratado de paz, terminado, assim, ao fim de 28 anos de luta, a Guerra da Restauração.

Batalhas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Anderson, James Maxwell. The history of Portugal Greenwood Press (2000) ISBN 0313311064, pág. 131
  2. Birmingham, David. A concise history of Portugal (2003) ISBN 9780521536868, pág. 51

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • António Cruz, Portugal Restaurado - Estudos e Documentos, Porto, Civilização, 1940.
  • António Álvaro Dória (ed., anot. e pref.), História de Portugal Restaurado / Conde da Ericeira, Porto, Civilização, 1945-1946.
  • COSTA, Fernando Dores, A Guerra da Restauração 1641-1668, Lisboa, Livros Horizonte, 2004.
  • FREITAS, Jorge Penim de, O Combatente durante a Guerra da Restauração. Vivência e comportamentos dos militares ao serviço da Coroa portuguesa, Lisboa, Prefácio, 2007.
  • Hipólito Raposo, Dona Luísa de Gusmão - Duquesa e Rainha (1613-1666), Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1947.
  • Geoffrey Parker The army of Flanders and the Spanish road, Londres, 1972 ISBN 0-521-08462-8,

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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Guerra da Restauração
Parte da(o) revoluções contra o domínio espanhol

Aclamação de D. João IV como rei de Portugal, pintado por Veloso Salgado (Museu Militar de Lisboa).
Data 1 de Dezembro de 164013 de Fevereiro de 1668
Local Portugal
Desfecho Vitória decisiva de Portugal:[1]
Mudanças
territoriais
Portugal cede a cidade de Ceuta a Espanha
Portugal cede a vila de Ermesende
Combatentes
Portugal Espanha
Principais líderes
João IV de Portugal
Afonso VI de Portugal
Pedro II de Portugal
Filipe IV de Espanha

Carlos II de Espanha

A Guerra de Restauração foi um conjunto de confrontos armados travados entre o reino de Portugal e Espanha, com excepção da Catalunha, no período compreendido entre 1640 e 1668. Tiveram início no golpe de estado da Restauração da Independência de 1 de Dezembro de 1640 — que pôs fim à monarquia dualista da Dinastia Filipina iniciada em 1580 — e terminaram com o Tratado de Lisboa de 1668, assinado por Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha e no qual se reconhece a total independência de Portugal.

Desenvolvimento Histórico[editar | editar código-fonte]

De 1580 a 1640 Portugal viveu sob o domínio do ramo espanhol da casa de Habsburgo. A monarquia começou quando Filipe II de Espanha se tornou rei nas Cortes de Tomar prometendo: Os cargos mais importantes (na igreja e no tribunal) estariam nas mãos dos portugueses; Espanha não iria interferir com o comércio com África, Brasil e Índia e os símbolos portugueses iriam continuar a ser os mesmos (o escudo, a bandeira e a moeda). Como seus dois descendestes, durante os seus reinados, não cumpriram o que D. Filipe II prometeu começou a haver descontentamentos entre o povo que mais tarde também afetou os nobres. Então criaram um grupo de nobres que conspiravam contra o reino que resultou na instauração da casa de Bragança em 1 de Dezembro de 1640.

O tumulto do Manuelinho de Évora, em 1637, foi um prenúncio do movimento restaurador. A causa imediata dessas alterações em Évora fora o lançamento de novos impostos sem consultar as Cortes. A conspiração de 1640 (ver Os Conjurados) foi planeada pelos fidalgos D. Antão de Almada, D. Miguel de Almeida e pelo Dr. João Pinto Ribeiro, não obstante de outros nomes associados que, nesse sábado de 1 de Dezembro de 1640 acorreram ao Terreiro do Paço e mataram o secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e aprisionaram a duquesa de Mântua, que governava então Portugal em nome de seu primo, Filipe III. O momento fora bem escolhido, porque a casa de Habsburgo defrontava os problemas advindos da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e procurava vencer a Revolta da Catalunha. E assim D. Miguel de Almeida tornou D. João IV Duque de Bragança rei de Portugal. E assim começou a nova dinastia, a Dinastia de Bragança.

Do decurso do reinado de D. João IV as hostilidades não se caracterizavam por encontros graves devido a coroa espanhola estar envolvida na Guerra dos 30 Anos e na revolta da Catalunha, pelo que não pôde dar uma resposta eficaz à revolta portuguesa, o que permitiu ao partido brigantino organizar e aperfeiçoar o seu exército com a chegada de novos efectivos e a utilização de oficiais e técnicos estrangeiros de qualidade.

Juramento e Aclamação de D. João IV no Terreiro do Paço, a 15 de Dezembro de 1640

Houve lugar a vários confrontos na fronteira, maioritariamente na zona do Alto Alentejo, e ainda na Beira Alta. A guerra arrastou-se durante 28 anos, vindo a paz a ser assinada já na regência de D. Pedro II.

A 2 de Dezembro de 1640, D. João IV já se dirigia como soberano por carta régia datada de Vila Viçosa, à Câmara de Évora. O caminho a seguir era o da reorganização de todas as forças para o embate que se previa. Assim, resolve criar em 11 de Dezembro o Conselho de Guerra para promover em todos os assuntos relativos ao exército. Vem a seguir a Junta das Fronteiras que haveria de cuidar das fortalezas fronteiriças, da defesa de Lisboa, das guarnições e portos de mar. Dá-se, ainda em Dezembro de 1641, a criação da Tenência para assegurar o artilhamento das fortalezas com o produto das Terças dos concelhos.

Posteriormente são restabelecidas as Leis Militares de D. Sebastião, visando reorganizar o exército. Paralelamente, desenvolve-se uma intensa actividade diplomática.

Com as decisivas vitórias do partido brigantino, lograram-se criar condições para o reconhecimento da independência, o que viria a ser conseguido, em 1668, sendo já regente o infante D. Pedro (futuro Rei D. Pedro II). Neste último ano foi assinado o tratado de paz, terminado, assim, ao fim de 28 anos de luta, a Guerra da Restauração.

Batalhas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Anderson, James Maxwell. The history of Portugal Greenwood Press (2000) ISBN 0313311064, pág. 131
  2. Birmingham, David. A concise history of Portugal (2003) ISBN 9780521536868, pág. 51

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • António Cruz, Portugal Restaurado - Estudos e Documentos, Porto, Civilização, 1940.
  • António Álvaro Dória (ed., anot. e pref.), História de Portugal Restaurado / Conde da Ericeira, Porto, Civilização, 1945-1946.
  • COSTA, Fernando Dores, A Guerra da Restauração 1641-1668, Lisboa, Livros Horizonte, 2004.
  • FREITAS, Jorge Penim de, O Combatente durante a Guerra da Restauração. Vivência e comportamentos dos militares ao serviço da Coroa portuguesa, Lisboa, Prefácio, 2007.
  • Hipólito Raposo, Dona Luísa de Gusmão - Duquesa e Rainha (1613-1666), Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1947.
  • Geoffrey Parker The army of Flanders and the Spanish road, Londres, 1972 ISBN 0-521-08462-8,

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